Doença de Haglund (Tendinopatia do tendão de Aquiles)

Já ouviu falar?

Já sentiu ou sente dores na região posterior do tornozelo?

Vamos conversar um pouco sobre essas dores.

O tendão de Aquiles é considerado o maior e mais forte tendão do nosso corpo, sendo o responsável pela força de propulsão de nossa marcha. Portanto ele é necessário para podermos caminhar e indispensável para correr e pularmos.

É composto pela junção de lâminas tendíneas de 3 músculos da perna: sóleo, gastrocnêmico cabeça medial e gastrocnêmico cabeça lateral. Por este motivo seu nome é chamado de tríceps. Apresenta aproximadamente 15 cm de comprimento e 2,5 de largura (Figura 1).

 

Sua lesão é subdividida em 2 categorias: as lesões insercionais e não insercionais, ou seja, dividimos o tendão em 2 regiões. A região insercional trata-se do local onde o tendão se liga ao osso calcâneo e a não insercional o restante do tendão (Figura 2).

 

Tais tendinopatias geram dor na região do tendão, causando dificuldade para caminhar e utilizar calçados.

O diagnóstico é realizado através do exame físico e de exames de imagens.

O exame físico destes pacientes mostram normalmente proeminência óssea associado a dor e hiperemia local nas tendinopatias insercionais e presença de dor e espessamento do tendão nas tendinopatias não insercionais.

O principais exames de imagens solicitados são radiografias (Figura 3 e 4) para visualização de calcificações intratendíneas e de proeminências ósseas no calcâneo e ressonância magnética para avaliação do tendão (Figura 5).

 
 
 

Embora as tendinopatias insercionais e não insercionais podem se apresentar em um mesmo paciente, vamos falar separadamente sobre suas causas e tratamentos.


Tendinopatia não insercional (corpo do tendão)

A tendinopatia não insercional normalmente manifesta-se em pessoas mais jovens, quando comparada a insercional. Suas causas podem ser várias, tais como obesidade, falta de alongamento, doenças metabólicas e principalmente a sobrecarga sobre o tendão. Por este motivo estas lesões são mais comuns em homens e atletas. Acredita-se que o fato da mulher utilizar sapato com salto seja um fator protetor para lesão do tendão de Aquiles.

O tratamento é dividido em cirúrgico e não cirúrgico.

O tratamento não cirúrgico baseia-se principalmente em adequar o calçado (utilizar um pequeno salto), alongamento e fortalecimento do tendão. Quando este não surte o efeito desejado, adicionamos adjuvantes, que podem ser terapia por ondas de choque e infiltrações locais. Estudos tem mostrado bons resultados até com acupuntura.

Após este, caso a dor persista, o tratamento cirúrgico pode ser realizado. Dentre os tratamentos pode ser realizado apenas o alongamento cirúrgico do mesmo, ressecção da área degenerada e até mesmo retirada de todo tendão e transferido outro para o local. Isso deve ser avaliado caso a caso.

O tempo de reabilitação depende de qual procedimento foi realizado. Variando de 4 a 12 semanas de imobilização.


Tendinopatia insercional (Doença de Haglund)

 

A tendinopatia insercional possui além das causas já mencionadas na tendinopatia não insercional, outras duas causas que não podem ser esquecidas: Proeminência de Haglund (Figura 3) no calcâneo e doenças reumatólógicas (espondiloartropatias).

A presença da proeminência de Haglund no calcâneo é a causa mais comumente observada, gerando atrito local por muitos anos contra o tendão de Aquiles, e desta forma, sua degeneração.

O tratamento conservador é realizado utilizando analgésicos, alongamentos, fortalecimentos e calçados com leve salto. Quando este não é resolutivo, optamos por utilizar terapias adjuvantes, tais como terapia por ondas de choque e infiltração local.

Quando o tratamento não cirúrgico surte resultados frustros, optamos pelo cirúrgico. Neste caso podemos realizar apenas a ressecção da proeminência óssea de Haglund do calcâneo quando não há sinais de degeneração tendínea pela ressonância ou associar a ressecção do da área degenerada do tendão quando presente.

O tempo de reabilitação depende de qual procedimento foi realizado. Variando de 4 a 12 semanas de imobilização.



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