Fratura do osso calcâneo

1- O osso calcâneo

O osso calcâneo é o osso responsável por suportar a maior parte do nosso peso. Trata-se de um osso esponjoso e extremamente forte, local onde se inserem diversos ligamentos e tendões, como por exemplo o tendão de Aquiles. Articula-se com o tálus formando a articulação subtalar e com o cuboide formando a articulação calcâneo cuboídea.

 
 

2- Causa da fratura

A maior causa de fratura do calcâneo são quedas de altura, onde o calcâneo é esmagado entre o tálus e o solo, gerando comumente um afundamento da sua articulação superior com o alargamento de sua espessura. No entanto fratura por traumas direitos, embora raras, também podem acontecer.

 

Imagens ilustrativas de como fratura-se o calcâneo após saltos ou quedas de altura.

3- Epidemiologia

O osso calcâneo é o maior osso do pé, sendo responsável por 1-3% das fraturas dentre todos os ossos do corpo. Embora pode acontecer em qualquer idade, a fratura do osso calcâneo é mais comum em homens com idade entre 30-60 anos.

Normalmente a fratura é de apenas um calcâneo, mas não é raro observarmos a fratura dos dois calcâneos em um único trauma. Além disso, fraturas da coluna lombar são normalmente associadas a fraturas do calcâneo.

4- Diagnóstico

O diagnóstico é feito através do exame físico e de imagem. Normalmente há um relato de uma queda de um local bem alto em que a vítima caiu em pé. Após a queda há uma incapacidade de andar devido a dor e inchaço ao redor do calcâneo.
O exame de imagem para o diagnóstico é normalmente o famoso RX. No entanto, por ser um osso esponjoso, não é raro passar a fratura despercebida. Desta maneira, em caso de dúvidas, a realização de uma tomografia computadorizada está indicada.

 
 

5- Toda fratura é igual?

Definitivamente não. Há vários graus de fraturas do calcâneo, desde aquelas com pouco desvio e que não passa pela articulação, até fraturas extremamente complexas e com vários fragmentos ósseos. Embora existam padrões de fraturas, costumamos dizer que não existem fraturas do osso calcâneo iguais.

Para classifica-las, normalmente observamos a quantidade de traços de fratura que passam por umas das articulações do calcâneo com o tálus, chamada faceta posterior.

 
 
 

6- Preciso operar?

Este tópico é o mais delicado. Pois há diversos fatores para serem avaliados no momento desta decisão, que deve ser sempre conjunta com o paciente.

De uma maneira geral, fraturas na qual o traço de fratura não passam pela articulação do calcâneo com o tálus e possuem pouco desvio dos fragmentos, tendem a ser tratadas de maneira não cirúrgica, apenas com imobilização e sem colocar o pé no chão.

Já aquelas com traços que passam pelas áreas articulares ou com muito desvio dos fragmentos, o tratamento cirúrgico está indicado.

No entanto, outros fatores são levados em conta no momento da decisão, tais como:

- Tabagismo
- Grau de fragmentação da fratura
- Habilidade e experiência do cirurgião
- Bilateralidade
- Perspectivas do paciente
- Problemas vasculares
- Diabetes
- Dentre outras.

7- Como é realizada a cirurgia?

Há diversas técnicas descritas na literatura médica para o tratamento cirúrgico das fraturas do osso calcâneo, não existindo assim uma melhor, e sim a de preferência e maior experiência do seu médico ortopedista.

O principal objetivo da cirurgia é restabelecer da melhor maneira possível a arquitetura da articulação do calcâneo com o tálus, chamada subtalar. Sabemos que esta articulação na grande maioria das pessoas que fratura o calcâneo evoluem com artrose (desgaste da cartilagem articular). Esta articulação é uma das responsáveis por acomodar o pé ao solo ao andarmos. Quando lesioanda, torna-se rígida e dolorosa, dificultando o caminhar.

A fixação dos ossos podem ser realizadas por placas, parafusos e hastes metálicas, ou uma combinação dos mesmos.

 

8- Complicações

Muitos médicos consideram a fratura do calcâneo uma das fraturas mais incapacitantes do pé e tornozelo.

Uma das principais complicações e mais assustadoras são as relacionadas a necrose de pele ao redor calcâneo. Sabemos que a pele ao seu redor possui poucos vasos sanguíneos.

Quando ocorre uma fratura, o próprio alargamento do osso pode pressionar a pele, e desta forma gerar sua necrose. Além disso, embora inevitável, a própria incisão cirúrgica também colabora para o surgimento de sofrimento da pele local. Está explicado aqui o motivo que devemos levar em conta a realização da cirurgia em pacientes tabagistas, que possuem lesões nos vasos sanguíneos e diabéticos, pois esses grupos possuem um fator de risco maior de complicações da ferida operatória.

Além desta, proeminência das placas e parafusos, artrose da articulação subtalar, compressão de ligamentos e tendões por fragmentos da fratura também geram dor e incapacidade em pacientes que sofreram esta fratura.

9- Reabilitação

De uma maneira geral, o tempo médio de imobilização no tratamento da fratura do calcâneo são de 3 meses, podendo ser um pouco maior nos pacientes submetidos ao tratamento não cirúrgico e naqueles onde haviam uma fratura com muitos fragmentos, ou menor naquelas tratadas cirurgicamente que não apresentavam muitos fragmentos.

A fisioterapia é importante para manter o movimento das articulações do pé e tornozelo além de ajudar na reabilitação. Como existem vários graus de fraturas e diversos tipos de fixação da cirurgia, a constante comunicação entre o fisioterapeuta e seu ortopedista torna-se importante para o melhor desfecho.