O QUE É OSTEOMIELITE?

Quando as bactérias que colonizam a ferida invadem os tecidos, podem chegar até o osso e iniciar um processo de destruição óssea. Neste momento quando as bactérias estão destruindo o tecido ósseo, podemos chamar de OSTEOMIELITE. Existem duas principais classificações para osteomielite.  Uma avalia o tempo de doença e a segunda a maneira que a bactéria chegou até o osso.

Classificação pelo tempo:

  • Aguda: Infecção óssea iniciou-se em até 2 semanas
  • Subaguda: Infecção óssea de 2 semanas a 3 meses
  • Crônica: Infecção iniciou-se há mais de 3 meses

Classificação pela via da infecção:

  • Propagação local: quando a bactéria chega até o osso através de uma ferida na pele.
  • Hematogênica: quando a bactéria chega até o osso através da corrente sanguínea (raro em adultos).

Apenas bactérias causam osteomielite?

Não. Bactérias são as principais causas de osteomielite. Mas outros microrganismos também podem gerar infecção óssea, tais como fungos e micobactérias.

 

Como fazer diagnóstico de osteomielite?

A osteomielite por ser uma infecção óssea, o diagnóstico conclusivo é realizado através da biópsia óssea sendo observado sinais de infecção óssea no exame de anatomia patológica e crescimento de microrganismos no exame de cultura.

No entanto, exames de imagem podem dar sinais sugestivos de osteomielite.

  • Radiografias:

A radiografia é um exame que avalia a conformidade óssea. Sabemos que para vermos uma alteração real no RX é necessário um consumo de aproximadamente 30% do osso. Desta forma, como a velocidade de destruição óssea das bactérias usualmente são lentas, julga-se que a osteomielite aguda não é possível ser identificada em radiografias, e quando observado, podemos chamar de osteomielite crônica.

  • Tomografia

A tomografia é um super raio X, é possível observar algumas alterações comumente presentes da osteomielite como coleções de pus, ar e sequestro ósseo. No entanto, por não deixar de ser um super Rx, julgamos seus achados serem observados apenas em pacientes com osteomielite crônica.

  • Ressonância magnética

Excelente exame para avaliar os tecidos ao redor do osso, além do aspecto ósseo, tais como inflamação. Deste modo, é considerado o melhor exame para investigar osteomielite, principalmente nos seus estágios iniciais.

  • Cintilografia óssea

Este exame é pouco utilizado, possuindo benefícios em casos onde há dúvida sobre osteomielite em pacientes possuem alguma contraindicação de realizar ressonância magnética.

Como tratar osteomielite?

A infecção óssea (osteomielite) é tratada conforme sua classificação. Teoricamente osteomielites agudas podem ser tratadas com apenas antibioticoterapia. O problema é que raramente se faz o diagnóstico na fase aguda da osteomielite.

Portanto é comum realizarmos o tratamento cirúrgico. Este tratamento é realizado normalmente de maneira sistematizada. Inicialmente é realizado uma limpeza com debridamento da região da osteomielite para retirar todo o tecido ósseo e não ósseo desvitalizado (deixar apenas tecido ainda vivo) no local da infecção.

Então todo o material retirado é enviado para culturas. As culturas ajudam a identificar quais microrganismos estão gerando a osteomielite e quais antibióticos possuem melhor ação contra esses microrganismos. Até o resultado das culturas, iniciam-se antibióticos chamados de largo espectro, ou seja, atacam vários tipos de microrganismos. Após o conhecimento do microrganismo, os antibióticos são direcionados para o tratamento do microrganismo encontrado.

A abordagem cirúrgica pode ser única ou variadas, dependendo da avaliação médica no momento da cirurgia em relação ao grau de comprometimento dos tecidos.

Sobre o Dr. Eduardo Pires - Ortopedista especializado em Pé Diabético

Eduardo Araujo Pires (CRM 161919) é médico graduado pela Faculdade de Medicina de Catanduva. Após título de medicina, fez residência médica em Ortopedia e Traumatologia na Santa Casa de São Paulo.

Especializou-se no tratamento de afecções do pé e tornozelo pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia – USP, área que atua atualmente. Hoje mantêm vínculo com a USP através do MESTRADO e como ortopedista voluntário do grupo de afecções do pé e tornozelo da instituição.

Possui também especialidade em Terapia por Ondas de Choque pela Sociedade Brasileira de Terapia por Ondas de Choque (SBTOC) e em Perícia Médica pela Santa Casa de São Paulo.